sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Vinte de Novembro: Séculos de um calendário de Consciência e Resistência

Para além de uma data, a verdade é que nos 365 ou 366 dias do calendário nosso de cada dia, a luta do negro pela igualde e justiça é constante


Conhecimento ou sentimentos próprios que auxiliam uma pessoa a perceber o que acontece na sua própria vida: este é, ao pé da letra, o significado da palavra Consciência. O dia 20 de novembro foi escolhido no Brasil como dia Nacional para lembrar e celebrar a Consciência Negra, dia de morte do líder Zumbi dos Palmares, que lutou contra a escravidão e pela resistência do povo escravizado e da prática cultural e religiosa da cultura africana no País.

A data é também é de reflexão sobre a atual situação da população negra no Brasil. Apesar das políticas públicas criadas em prol desse público e do avanço do negro na sociedade, seja na educação onde em 2013 foi registrado um crescimento tímido porém significativo de 15,1% frente aos 9,8% em 2002, de negros ingressando nas universidades brasileiras (IBGE-2013); assim como na questão de emprego, no que diz respeito ao justo valor de salários a ser pagos e muito mais. Na verdade muito ainda há que se fazer para que sabe ao menos igualar o negro em oportunidades com relação a outras etnias, e isso não só no Brasil.

Ainda assim, como Zumbi, o negro luta por seus direitos e claro, dignidade. Exemplos como o do professor, pesquisador, escritor e geógrafo baiano Milton Santos (1923-2001), a primeira juíza negra no brasil, também baiana Luislinda Valois, hoje Desembargadora, título que ela “conquistou na raça, já que não tinha ‘padrinho’ ou ninguém importante na família”.
Olhando para o futuro, para além de uma data, a verdade é que nos 365 ou 366 dias do calendário nosso de cada dia, a luta do negro pela igualde e justiça é constante. Seja pela conquista de políticas públicas específicas que atendam as necessidades dessa população, ações de combate ao racismo. 

Desmistificando a velha imagem de coitado, fruto da terrível escravidão de séculos passados, hoje (a muito custo, aliás), o negro tem presença e lugar de destaque em várias áreas do cenário mundial. O que deixa claro, a capacidade do inegável progresso dessa minoria economicamente falando, porém maioria em dados populacionais. E como diz uma famosa frase publicitária: “E você, ainda deixa usarem sua origem como obstáculo para o seu progresso? Racismo. Até quando?”.


Confira um trecho do vídeo sobre a visão do professor Milton Santos quanto a política racial brasileira. Edta foi a última entrevista de Milton Santos. Vídeo completo no link: https://www.youtube.com/watch?v=9jOmsQ-2sg8.



quarta-feira, 19 de novembro de 2014

3ª Marcha da Periferia contra o racismo, o genocídio e a criminilização; confira a programação nos estados

Pela destruição do Racismo: basta de genocídio, violência, criminalização, opressão e exploração.



 Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe está preparando uma agenda de atividades e organiza a terceira edição da Marcha da Periferia pelo país que trará o tema “Pela destruição do racismo: basta de genocídio, violência, criminalização, opressão e exploração”.
As atividades estão previstas para ocorrer no mês da Consciência Negra,  em alusão à morte do guerreiro Zumbi dos Palmares, principal representante da resistência negra à escravidão na época do Brasil Colonial. Zumbi liderou o Quilombo dos Palmares, comunidade livre formada por escravos fugitivos dos engenhos, índios e brancos pobres expulsos das fazendas, chegando a alcançar uma população de aproximadamente trinta mil habitantes.

A Marcha da Periferia começou a ser realizada no ano de 2006, em São Luiz no Maranhão, pelo Movimento Organizado de Hip Hop Quilombo Urbano, que completa 25 anos de muita luta. O Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe desde 2012 nacionaliza esta marcha em vários estados do Brasil em unidade com setores do movimento social negro, popular, estudantil e sindical.

O objetivo da marcha é levar às ruas a denúncia contra o racismo que mata e divide a classe trabalhadora. É necessário que os trabalhadores sindicatos, movimentos sociais, estudantil e toda a população se unifiquem e compreendam que a luta contra o racismo deve ser feita também contra o capitalismo, pois como dizia Malcolm X, não há como destruir um, sem combater o outro.

A terceira Marcha Nacional da Periferia vai denunciar a situação de crescente extermínio da população negra, sobretudo de sua juventude e os ataques aos quilombolas.

A banalização do racismo em campanhas midiáticas também será tema, tendo em vista que esse tipo de agressão racista cresceu dentro e fora dos campos de futebol.

Será denunciada a situação do Haiti, cuja revolução negra naquele país completa 200 anos, além dos 10 anos da desastrosa ocupação militar das tropas brasileiras.

A epidemia do ebola na África que volta ao debate internacional, com mais de 4 mil mortes, e  a tendência mundial dos governos capitalistas e racistas em formar um cordão sanitário em torno daquele continente.

Além disso, no Brasil, já existe um grande número de africanos na região Sul, em situação análoga à escravidão e sofrendo xenofobia.

Por isso, o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe conclama a todos a participar das atividades para fortalecer o combate ao racismo.

Confira as atividades já programadas:

Minas Gerais

21/11 – Marcha da Periferia – concentração a partir das 15h na comunidade Willian Rosa

Rio Grande do Sul

15/11 – Campanha da ANEL: Entrar, permanecer, enegrecer;
20/11 – Marcha do Genocídio da Comunidade Negra – às 17h em frente ao Palácio Piratini
21/11 – Cine debate do filme “Vista minha Pele” no Sindppd
21/11 – Panfletagem na Contac
22/11 – Plenária do Quilombo Raça e Classe – no SIMPA;

Rio de Janeiro:

18/11 – Debate Colégio Pedro II do Humaitá, às 10h.
18/11 – Debate Escola Estadual Gomes Freire – Penha, às 10h.
19/11 – III – Marcha da Periferia/RJ – Nova Iguaçu, às 15h.
19/11 – Debate Colégio Pedro II – São Cristovão, horário a confirmar.
19/11 – Debate Sindicato dos Comerciários de NI, às 19h.
19/11 – Debate UNIRIO – Rio, às 19h.
20/11 – Seminário SEPE/Duque de Caxias/Rio, das 9h às 17h.
20/11 – Abertura Seminário FENAJUF, às 10h.
20/11 – Feijoada do Buraco do Galo/Osvaldo Cruz, às 13h.
20/11 – Debate Centro Cultural Mª da Graça, às 15h.
21/11 – Mesa Seminário FENAJUFE, ás 14h.
21/11 – Panfletagem Central do Brasil, às 17h.

 

Salários ainda distantes


Salário do professor se distancia muito das demais profissões ao longo da carreira. M esmo que aos poucos, o Brasil vem conseguindo nos últimos anos reduzir a distância que separa, em termos salariais, o magistério das demais carreiras universitárias. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, mostram que, em 1995, um profissional com nível superior recebia, em média, 95% a mais que um professor que dava aula no ensino médio. A distância em relação aos que atuavam no Ensino Fundamental era ainda maior: chegava a 157% se comparados os rendimentos médios do professor nos anos iniciais em comparação à média dos demais trabalhadores com diploma.

GRAÇAS em parte a políticas públicas como o Fundef (implementado em 1996 e depois ampliado para toda a educação básica em 2006) ou ao Piso Salarial Nacional (que virou lei em 2008), o que se viu desde então foi que os professores obtiveram ganhos acima da média dos demais profissionais. Em 2013, último ano com dados disponíveis pelo IBGE, um trabalhador com nível superior recebia por 40 horas semanais, em média, 39% a mais do que um professor do ensino médio e 69% a mais em comparação com um profissional que dava aula nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

Um olhar mais detalhado nas estatísticas, no entanto, mostra que essa desigualdade varia muito de acordo com o estágio do profissional na carreira. A boa notícia neste caso é que, entre recém-formados, estamos mais perto de equiparar os professores dos demais trabalhadores com nível superior. Entre profissionais de 25 a 29 anos de idade, a média salarial dos empregados em outras profissões universitárias supera em apenas 11% a média registrada para professores do ensino médio e em 28% a dos que dão aulas no primeiro ciclo do Ensino Fundamental.

O problema é que, a partir daí, as outras carreiras registram aumentos muito maiores à medida que o profissional vai se tornando mais experiente, e os professores vão ficando para trás. Próximo da aposentadoria, entre profissionais de 50 a 54 anos, os demais profissionais com nível superior registram, em média, salários 71% maiores do que os professores do ensino médio e 92% em comparação aos que dão aulas no primeiro ciclo do Ensino Fundamental.

Pagar melhores salários no início da carreira é fundamental para atrair jovens talentosos para o magistério e melhorar a qualidade da educação no longo prazo. Mas isso só não basta. Se não houver a garantia de que ele poderá crescer na carreira, a tendência, como já acontece hoje, é que uma parte desses profissionais procure no meio do caminho outras profissões em busca de melhores salários.

EM TEMPO: já que o assunto é remuneração docente, uma tabela publicada há dois meses no relatório Education at a Glance, da OCDE, traz uma interessante constatação sobre a relação entre salários e o desempenho dos alunos em matemática. Em países desenvolvidos, com PIB per capita superior a US$ 20 mil, pode-se dizer que remunerações maiores estão correlacionadas com melhores notas. O mesmo não acontece, porém, nas demais nações, em que o PIB per capita fica abaixo deste patamar (caso do Brasil, apesar de ele não constar nesta comparação específica). O relatório não entra em detalhes nem aprofunda muito essa questão, mas a suspeita da OCDE é que, para que os salários façam a diferença a favor dos alunos, é preciso também que uma série de outros recursos de infraestrutura da escola estejam já adequados.

 

(O GLOBO, 03/11/2014)

Ato pela mobilização em torno da construção dos Planos Municipais e Estadudais de Educação Democráticos e Pela Valorização dos Trabalhadores/as em Educação


No dia 20 de novembro, às 12h, trabalhadores em educação fazem ato pela mobilização em torno da construção dos Planos Municipais e Estadudais de Educação Democráticos e Pela Valorização dos Trabalhadores/as em Educação, em frente à entrada principal da CONAE 2014 (CCIB).


Após o ato público, diretores da CNTE serão palestrantes em diversos colóquios e vão coordenar mesas. Veja como será a participação da CNTE durante a Conferência Nacional de Educação, que vai de 19 a 23/11, em Brasília/DF

terça-feira, 18 de novembro de 2014

Mais uma vez a educação do Paraná é agredida física e moralmente


 

Além do triste exemplo dado pelo governo do Estado ao suspender as eleições para as direções das escolas que deveriam ocorrer no próximo dia 26, os(as) professores(as) e funcionários(as) de escolas que acompanhavam a sessão na Assembleia Legislativa do Paraná,  terão na memória um dia de pesar. De forma truculenta, seguranças da Casa Legislativa retiraram à força a categoria que acompanhava a votação das galerias. Eles também agrediram alguns educadores(as), entre eles três professores e uma professora que precisou de atendimento médico. Diante de tamanha brutalidade, a APP, através do diretor Celso José dos Santos, acompanhou as vítimas no registro de Boletins de Ocorrência (BO). A entidade também acionará a Assembleia Legislativa para que investigue e puna os responsáveis pelas agressões.

Ação contra a suspensão das eleições de diretores(as) - A direção da APP repudia veementemente o golpe ao processo democrático nas escolas públicas do Paraná com a aprovação do projeto de lei que prorroga os mandatos. Inclusive, a entidade impetrará uma ação judicial contra a aplicação da lei. O motivo é que ela fere, frontalmente, o princípio da legalidade da hierarquia das normas fixadas no Artigo 59 da Constituição Federal, que proíbe que uma norma inferior – no caso a Resolução nº 5390/2014 – obste a aplicação de uma norma superior, a lei 14.231/2003, que regulamenta a eleição de direções das escolas.

A função de direção é uma função executiva e neste caso defendemos limite para a reeleição. A alternância de pessoas que possam assumir a diretividade da gestão na escola enriquece a todos e ao próprio processo. O contrário, a perpetuação na função não cria lideranças. Em relação ao principio: uma pessoa, um voto; somos contrários nas condições que se aplicam a eleições das direções escolares. Defendemos o voto qualificado, diferenciado para professores/as e funcionários/as em relação à comunidade em geral. Esse principio não é de forma alguma elitista, procura estabelecer limites e pesos entre as pessoas aptas a votar e as funções que desempenham dentro da escola. Um/a funcionário/a ou professor/a que convive com uma direção diariamente tem melhores condições de avaliá-la do que um pai ou mãe que acessa a escola eventualmente.

Entendemos que as eleições para escolha de direções nas escolas é um dos canais de democratização das relações no interior da escola. Um instrumento coletivo que implica no empoderamento dos/as envolvidos/as. A prorrogação dos atuais mandatos em nada contribui para o processo de gestão. As mudanças da lei, com ampla participação de todos, com audiências públicas  como propõe o deputado,  poderiam ter sido feitas anteriormente ou após as eleições e não neste momento. Nesse sentido, ao contrário do deputado, a Gestão Democrática como um princípio educacional previsto na LDB/96 e no PNE/2014 não é apenas estratégia – planificadora é, também, tática – instrumental, para a melhoria da sociedade como um todo. Uma escola democrática cria as bases para uma sociedade mais democrática.

Confira as propostas discutidas, alteradas e aprovadas na assembleia de hoje



A ASPROLF – Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Município de Lauro de Freitas, se reuniu na manhã de hoje (18) na AFPEB com a categoria para discussão e votação da proposta da Lei do Gestor que trata da eleição direta pela comunidade escolar, para os cargos de diretores e vice-diretores das Unidades de Educação Infantil (Creche e Pré-Escola) e Ensino Fundamental da Rede Municipal.

Durante as discussões os trabalhadores em educação apresentaram pontos de divergência e concordância na Lei, que, após votação da categoria, segue para apreciação do Executivo Municipal. Entre os itens discutidos e modificados pela categoria, estão a colocação do Artigo 11 no parágrafo 3º que impede a indicação pro tempore os diretores e vice-diretores com 02 (dois) mandatos sucessivos na mesma Unidade de Ensino, não podendo também ser indicados para outra Unidade de Ensino; e a inclusão do Artigo 30 do dispositivo transitório à eleição de 2015 que deverá ocorrer em 2016, ampliando para 03 (três) anos a gestão atual, entre outros pontos.  

Também foi passada a proposta de alteração do plano de carreira, que acrescenta mais 4 (quatro) letras as já existentes na Lei, e como não houve tempo hábil para votação desse item pela categoria, a Comissão Executiva da ASPROLF pediu aprovação e legitimação para apresentar essa pauta ao Poder Executivo.


As propostas discutidas, alteradas e aprovadas na assembleia de hoje, seguem para a Câmara que pode fazer modificações no texto.

Clique aqui e confira o texto aprovado na assembleia desta terça-feira (18).

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Saiba mais sobre gestão escolar

Gestor escolar: Entendido como um líder e coordenador das atividades da escola é um importante mediador no projeto pedagógico e das demais ações e atividades. Os sistemas de ensino, de maneira geral, atribuem ao diretor um conjunto de responsabilidades administrativas e pedagógicas.

Atribuições e funções mais comuns do gestor escolar: 
·        Ser um mediador entre o sistema de ensino e a unidade escolar e entre esta e a comunidade local.
·    Manter-se atualizado com as políticas e diretrizes educacionais em nível nacional, estadual e municipal,  socializando-as na escola.
·        Zelar pela organização administrativa e educacional, definida no projeto pedagógico da escola.
·        Manter organizados e atualizados os registros da escola, de maneira sistemática.
·        Preparar e propor orçamentos, incluindo previsão de custos e despesas.
·        Trabalhar a proposta do sistema de ensino cooperativamente com as comunidades escolar e local.
·     Exercer a liderança, encorajando, persuadindo e motivando tanto os profissionais da educação quanto os demais membros das comunidades escolar e local.
·      Negociar, em situações de conflito, visando ao sucesso escolar dos alunos.
·      Conviver bem com a pluralidade cultural, ajudando a dissipar preconceitos.
·     Avaliar seu próprio conhecimento, suas capacidades e habilidades, bem como os daqueles que estão sob sua liderança.
·    Acompanhar e avaliar o desempenho de sua escola e informar ao sistema de ensino o quadro de vagas, transferências e aprovação.

·       Zelar pela segurança de alunos, professores, funcionários e o patrimônio material e imaterial da escola.
·       Desenvolver e manter um clima organizacional democrático e participativo na escola.

Além de exercer a liderança no ambiente escolar, o diretor deve incentivar novas lideranças, compartilhando compromissos e responsabilidades de forma criativa, visando à melhoria do processo e dos resultados educacionais. É importante que o(a) gestor(a) compreenda que o seu papel na escola deve ser o de líder democrático na coordenação dos processos pedagógico e educativo. Portanto, cabe-lhe a função de mediar à implementação dos espaços necessários às ações e das decisões compartilhadas na escola. Compete ao gestor, como liderança na escola, coordenar as ações, integrá-las, promover a participação das comunidades local e escolar na consolidação de uma escola focada no sucesso e bem-estar do aluno e na realização dos sonhos, objetivos e metas coletivos.

Conselhos escolares

O Conselho Escolar (CE) é um colegiado formado por membros de todos os segmentos da comunidade escolar com a função de gerir coletivamente a escola. Com suporte na LDB, lei nº 9394/96 no Artigo 14, que trata dos princípios da Gestão Democrática no inciso II – "participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes", esses conselhos devem ser implementados para se ter uma gestão democrática. Porém, como diz Carlos Drummond Andrade: "as leis não bastam. Os lírios não nascem das leis" (SEED 1998, p. 44).

Dessa forma, os Conselhos Escolares podem servir somente para discutir problemas burocráticos, ser compostos apenas por professores e diretor(a), como um ‘Conselho de Classe’, mas se estiver dentro dos princípios da Gestão Democrática esse Conselho terá que discutir politicamente os problemas reais da escola e do lugar que ela está inserida com a participação de todos os sujeitos do processo. Para que se garanta a constituição de um Conselho Escolar com essas características, Antunes (SEED, 1998) aponta alguns parâmetros importantes a serem considerados:

Natureza do Conselho Escolar: Deve ser deliberativa, consultiva, normativa e fiscalizadora.

Atribuições fundamentais: Elaborar seu regimento interno; elaborar, aprovar, acompanhar e avaliar o projeto político-pedagógico; criar e garantir mecanismos de participação efetiva e democrática da comunidade escolar; definir e aprovar o plano de aplicação financeiros da escola; participar de outras instâncias democráticas, como conselhos regional, municipal, e estadual da estrutura educacional, para definir, acompanhar e fiscalizar políticas educacionais.

Normas de funcionamento: O Conselho Escolar deverá se reunir periodicamente, conforme a necessidade da escola, para encaminhar e dar continuidade aos trabalhos aos quais se propôs; a função do membro do CE não será remunerada; serão válidas as deliberações tomadas por metade mais um dos votos dos presentes da reunião.

Composição: Todos os segmentos existentes na comunidade escolar deverão estar representados no CE, assegurada a paridade (número igual de representantes por segmento); o diretor é membro nato do conselho.

Processo de escolha dos membros: A eleição dos membros e suplentes deverá ser feita na unidade escolar, por votação direta, secreta e facultativa.

Presidência do Conselho Escolar: Qualquer membro efetivo do conselho poderá ser eleito seu presidente, desde que esteja em pleno gozo de sua capacidade civil.

Critérios de participação: Participam do Conselho com direito a voz e voto todos os membros eleitos por seus pares; os representantes dos estudantes a partir da 4ª série ou com mais de 10 anos terão sempre direito a voz e voto, salvo nos assuntos que, por força legal, sejam restritivos aos que estiverem no gozo de sua capacidade civil; poderão participar das reuniões do Conselho, com direito a voz e não voto, os profissionais de outras secretarias que atendam às escolas, representantes de entidades conveniadas, Grêmio Estudantil, membros da comunidade, movimentos populares organizados e entidades sindicais.
Mandato: Um ano, com direito à recondução.

Projeto político pedagógico (PPP): Assim como o Conselho Escolar, o PPP também tem leis para assegurá-lo. Na LDB, o Artigo 12 dispõe: "Os estabelecimentos de ensino (..) terão incumbência de: (Inciso I:) elaborar e executar sua proposta pedagógica". Também no Artigo 13 das incumbências dos docentes, o Inciso I lê: "participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino"; e o Inciso II lê: "elaborar e cumprir plano de trabalho, segundo a proposta pedagógica do estabelecimento de ensino".

Percebe-se, porém, que a palavra ‘político’ é descartada, como se qualquer PPP não tivesse uma ideologia e concepções que o cerceiem. Dessa forma, a lei assegura que se faça um Projeto Pedagógico da escola, mas deixa aberto para que se faça um documento somente técnico, sem a devida discussão, que muitas vezes é feito só para cumprir a lei, tornando-se assim um instrumento meramente burocrático e bem longe da realidade esperada.

Para que se tenha êxito em fazer um Projeto Político-Pedagógico, com a participação da comunidade, e para que sua implementação esteja presente na realidade escolar, algumas características são fundamentais:

Comunicação eficiente: Um projeto deve ser factível e seu enunciado facilmente compreendido.

Adesão voluntária e consciente ao projeto: Todos precisam estar envolvidos. A co-responsabilidade é um fator decisivo no êxito de um projeto.

Suporte institucional e financeiro: Tem que ter vontade política, pleno conhecimento de todos e recursos financeiros claramente definidos.

Controle, acompanhamento e avaliação do projeto: Um projeto que não pressupõe constante avaliação não consegue saber se seus objetivos estão sendo atingidos.

Credibilidade: As idéias podem ser boas, mas, se os que as defendem não têm prestígio, comprovada competência e legitimidade, o projeto pode ficar bem limitado.

Eleição para diretor

A história do processo de escolha democrática de dirigentes escolares começa no Brasil na década de 60, quando, nos colégios estaduais do Rio Grande do Sul, foram realizadas votações para diretor a partir das listas tríplices. Foi então que, no movimento da democratização, principalmente com o Fórum Nacional em Defesa da Escola Pública, a eleição direta tornou-se uma das importantes bandeiras da educação, e pela qual não foi incorporada, como outras (pelo menos em parte), nas legislações principais (Constituição e LDB). É por essa razão também que a história da eleição direta para diretores é marcada por constantes avanços e retrocessos, dependendo da vontade política de dirigentes, para se aparar em leis estaduais e municipais.

Na Gestão Democrática o dirigente da escola só pode ser escolhido depois da elaboração de seu Projeto Político-Pedagógico. A comunidade que o eleger votará naquele que, na sua avaliação, melhor pode contribuir para implementação do PPP. Porém, existem outras formas de escolha de diretor, que são a realidade da maioria das escolas públicas do Brasil. Para entender melhor o que significa eleições diretas para a direção da escola, é importante conhecer essas outras formas de escolhas, que são: nomeação, concurso, carreira, eleição e esquema misto. (SEED,1998 p. 69).

Nomeação: O diretor é escolhido pelo chefe do Poder Executivo, estando a direção no mesmo esquema dos denominados ‘cargos de confiança’. Nessa condição, o diretor pode ser substituído a qualquer momento, de acordo com o momento político e a conveniência, por isso é comum a prática clientelista.

Concurso: O diretor é escolhido por meio de uma prova, geralmente escrita e de caráter conteudista, e também prova de títulos. Dessa forma se impede o apadrinhamento/clientelismo, mas isso não confere a liderança do diretor diante da comunidade que o integra. Assim, o diretor pode não corresponder aos objetivos educacionais e políticos da escola, não tendo grande compromisso com as formas da gestão democrática, mesmo que isso não seja regra.

Carreira: O diretor surge da própria instituição que o integra, por meio de seu plano de carreira, fazendo especializações na área de administração e gestão, entrando naturalmente no cargo. Essa forma caracteriza o diretor apenas por suas habilidades técnicas, esquecendo-se a parte política fundamental para um dirigente-educador.

Eleição: O diretor é escolhido pela eleição, que se baseia na vontade da comunidade escolar, por voto direto, representativo, por escolha uninominal ou, ainda por listas tríplices ou plurinominais. Essa é a maneira que mais favorece o debate democrático na escola, o compromisso e a sensibilidade política por parte do diretor, além de permitir a cobrança e a co-responsabilidade de toda a comunidade escolar que participou do processo de escolha.

Esquema misto: O diretor é escolhido por diferentes combinações. Por exemplo, mesclando provas de conhecimento com a capacidade de liderança e administração, ou então decido em conselhos menores da escola. Nesses esquemas mistos é comum a comunidade participar em alguma parte do processo, o que possibilita um maior vínculo do diretor com a escola.

A escolha para diretor nas escolas sempre foi um assunto muito polêmico e discutido tanto nas escolas quanto entre especialistas da educação. O assunto encontra-se em grande evidência também devido ao fato de ser, entre as outras práticas de administração da escola, aquela que envolve um maior interesse dos governantes, pois é uma importante ferramenta de cooptação pelo poder – "eu lhe dou o cargo e você me dá o apoio". A grande atenção voltada a este tema faz alguns até pensarem que a Gestão Democrática se restringe à eleição direta para diretor.

O diretor deve ser o principal revigorador do comportamento do professor que demonstra pensamentos e ações cooperativas a serviço da inclusão. É comum que os professores temam inovação e assumam riscos que sejam encarados de forma negativa e com desconfiança pelos pares que estão aferrados aos modelos tradicionais. O diretor é de fundamental importância na superação dessas barreiras previsíveis e pode fazê-lo através de palavras e ações adequadas que reforçam o apoio aos professores. (SAGE,1999, p. 138)3